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Dirigir sem habilitação é prática comum e perigosa

Quarta-feira, 04 de agosto de 2010


Por ano, quase 5 mil acidentes com vítimas têm condutores não habilitados envolvidos só no Paraná
O acidente que resultou na morte de Márcia Amaral Barbosa, de 28 anos, e de sua filha Mayane Amaral de Lima, de 11 meses, e deixou ou­­tras quatro pessoas feridas, em Colombo, no último sábado, tem raiz numa prática comum no Brasil: jovens que não têm carteira de habilitação usam o carro indevidamente para “treinar” a direção. O acidente foi causado por Jéferson Dionísio dos Santos, um jovem de 18 anos que não havia passado nem das aulas teóricas da autoescola – o rapaz teria pego o carro da mãe escondido. Dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) mostram que, em média, no estado, quase 5 mil acidentes com vítimas, todos os anos, têm condutores inabilitados envolvidos. E a tendência é de alta neste número. Entre 2007 e 2009, o aumento foi de 37%. Curitiba, no ano passado, bateu um recorde: um em cada cinco acidentes com vítimas tinha o envolvimento de motoristas sem habilitação.

E a realidade pode ser ainda pior. Em média, em cerca de 8,5 mil boletins de ocorrência a cada ano não constam informações acerca de situação da habilitação do condutor envolvido no acidente. As estatísticas do Detran-PR não permitem afirmar também com precisão a faixa etária dos motoristas sem habilitação que se acidentam, mas se sabe, ao menos, que cerca de 1,5 mil jovens menores de 18 anos se envolvem todos os anos como condutores em acidentes de trânsito com vítimas. Informação que, por si só, já poderia servir de alerta para os pais.

O auxiliar contábil Roberto (no­­me fictício), 25 anos, diz ter aprendido a dirigir com apenas 10 anos de idade. “Eu ficava perguntando pa­­ra o meu pai, que é motorista de ônibus, como fazia. Quan­­do ele da­­va bobeira, eu pegava o car­­ro es­­condido e saía dar uma volta. Aos 12, quando nos mudamos para um sítio, comecei a dirigir ca­­mi­­nhão. Aos 17 anos, eu já fazia uns bicos, consegui juntar dinheiro e comprar o meu primeiro carro.”

É justamente essa paixão pelos carros, principalmente entre os meninos, um dos ingredientes de uma mistura trágica. De acordo com a coordenadora de educação para o trânsito do Detran-PR, Maria Helena Gussomattos, é cada vez mais comum os próprios pais ensinarem os filhos a dirigir antes da hora. “Os pais ainda não entenderam a responsabilidade disso. Não há a percepção de que os filhos estão se colocando em risco e colocando outras pessoas em risco. Começam deixando o filho tirar o carro da garagem, indo até a esquina, dar uma volta na quadra, ir até a padaria, até que, num evento, num segundo, não tem mais volta, estraga toda uma vida”, comenta.

Para a coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Uni­ver­­sidade Federal do Paraná, Iara Thielen, quando os pais ensinam os filhos a dirigir an­­tes da hora passam uma mensagem específica. “Os filhos podem acre­­ditar que já têm o direito de usar o veículo. Quando o processo de aprendizagem se dá na informa­­li­­dade, ela permanece e traz consequências. É como se os pais tivessem ensinando os filhos a afrontar a lei.”

O publicitário Gustavo Pasqual Basso, 27 anos, resolveu dar uma guinada nesta cultura. Aos 12 anos, recebeu as primeiras lições de direção diretamente do pai, na chácara da família, mas diz que não pretende repetir a “tradição”. “Fiquei todo animado. Só deixavam eu dirigir lá na chácara e nunca sozinho. Mas é realmente um perigo muito grande. Imagino o remorso dos pais que ensinam a dirigir e depois o filho se envolve num acidente. Além disso, o filho depois que aprende fica mais ansioso, pode querer ‘roubar’ o carro para dar uma volta”, diz.

Por isso, mesmo entre os pais que não compactuam com a prática, Maria Helena diz que eles de­­vem ficar mais alertas. “Reco­men­­damos que nunca deixem a chave em casa, escondam a chave reserva, tenham cuidado com as festinhas, pois são nesses momentos que os adolescentes aproveitam.”

Fonte: Gazetado Povo

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